terça-feira, 7 de outubro de 2014

Trutas e Serras

Depois duma longa ausência de posts o blog irá retomar com artigos de opinião,relatos e diários de pesca e de  montanha,com algumas fotografias mas sobretudo informação. Material e boas histórias não faltarão para serem aqui postadas....fiquem atentos....  

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Noruega 2014

Já a alguns anos que o jornalista e meu querido amigo,António Soares,tem sido meu assíduo companheiro de pesca quer em Portugal mas sobretudo no estrangeiro.

Nos últimos anos temos vindo a  visitar alguns dos rios salmonideos mais mediáticos da Europa.Depois de conhecermos uma parte significativa dos rios da Irlanda,este ano,das várias opções que estavam em cima da mesa, os famosos rios da Noruega eram sem duvida um desafio.


Fazer uma viagem de pesca para um destino desconhecido requer muito planeamento e escolha de locais, mas sobretudo aconselhamento de pescadores experientes que tivessem estado e pescado os rios para que a sua opinião e experiências sirva  de farol para que  não se vá às escuras.

Desde Fevereiro que tinha-mos mantido contactos com pescadores,com blogs activos,sobretudo Dinamarqueses,que nos foram dando dicas para as melhores zonas para aquilo que pretendia-mos. Queríamos sobretudo pescar trutas,tímalos e salvelinos,desvalorizando os salmões e as mariscas.


Eram muitas as zonas em que a nossa escolha poderia recair,contudo era necessário um cuidado adicional(estávamos alertados para isso) porque quase todos os rios estavam ainda no degelo e as eclusões poderiam ser esporádicas,até porque a intenção era pescar sempre que possível à sêca,mas sobretudo muita sorte com o tempo,pois as temperaturas são ainda muitas baixas o que afecta o comportamento dos peixes.

Escolhemos o centro da Noruega numa zona estratégica de montanha proximo da bonita cidade de Tynset com várias opções de pesca num raio de 100km ,onde os vales dos famosos rios Rena,Glomma e Unsetaa  estariam relativamente perto,por outro lado teria-mos um sem fim de lagos,uns mais pequenos e outros de grande dimensão à nossa volta,todos eles carregados de trutas,tímalos e salvelinos.

O planeamento destas viagens passam também pela escolha das moscas que utilizamos para ter algum sucesso,e essas requerem uma grande concentração,estudo e tempo na sua montagem.

Tanto eu como o António nunca compramos moscas para pescar(uma única excepção foi no Corrib(Irlanda) em que o nosso guia insistiu em pescarmos com moscas compradas num determinada loja local...compreende-se...negócio local) levamos sempre o torno e material para eventual eclosão em que a imitação não esteja presente nas nossas caixas(a maior parte das vezes temos a imitação mas não no tamanho e isso faz toda diferença).

Estudamos antecipadamente os rios a que nos propomos pescar,contactamos gentes locais,planeamos a viagem em pormenor,incluindo os limites de velocidade e as regras de transito em cada local que visitamos.
A escolha do alojamento é tão ou mais importante para que se tenha sucesso na estadia e nisso temos tido imensa sorte com as pessoas que temos encontrado.


Sabia-mos de ante mão que estaríamos a visitar o pais com o nível de vida mais elevado e caro da União Europeia(até bem pouco tempo ,Oslo era uma das a cidades mais caras do Mundo) onde a Coroa Norueguesa é uma moeda muito forte e que o seu povo pauta-se pelo conservadorismo nas suas tradições e culturas.Exemplos disso  são a forte restrição às bebidas alcoólicas,bem como a tolerância zero na condução e regras de transito,a obrigatória separação de resíduos domésticos,a proibição de sacos plásticos gratuitos nos comércios....entre muitas outras,que mais tarde darei conta num qualquer post.Para se ter uma ideia do nível de custos dou como exemplo pratico duma simples cerveja de 0.25cl que tem um preço que varia ente os 9€ e os 13€ e não se vende ao virar da esquina,há locais específicos para tal.

Relativamente à pesca,pela avaliação dos 10 dias em permanecemos no pais,e falando só da nossa experiência em local especifico,ela é toda privada inclusive todos  os trocos dos rio e lagos,bem como o acesso aos locais de pesca que terão de ser impreterivelmente respeitados,não podendo o pescador entrar para o rio onde lhe apetecer.

 Não existe guarda florestal apesar destes locais serem de alta montanha e de densas florestas.
As licenças de pesca podem ser adquiridas atravez de sms,e-mail,sites de pesca,nos postos de abastecimento de combustível,ou então junto ao rio.
Esta ultima opção deixou-nos perplexos,pois o sistema é simples;
Junto ás entradas para os  rios existe a informação do local com o mapa e existe também uma caixa,tipo as nossas do correio,em que no seu interior tem um livro de registos e uma esferográfica,onde o pescador pode fazer o respectivo registo de licença e deixar dentro o dinheiro!impensável implementar cá um sistema destes,logo a começar pela provável pilhagem do dinheiro e com fortes probabilidades de destruição da caixa...

A cultura de pesca por estes lados é de tal forma vivida que o pescador tem à sua disposição cabanas junto aos rios com os mais elementares serviços para para uma estadia de vários dias,como por exemplo lenha copos pratos,beliches,cobertores e salamandra....encontramos alguns solitários uns acampados outros com tendas ás costas pelas margens dos rios....
     

domingo, 15 de junho de 2014

River Suir

O Suir é um dos mais importantes rios da Irlanda,com boas populações de trutas,quer fário quer mariscas mas também  onde entra uma quantidade significativa de Salmão.

Na minha opinião é um rio relativamente fácil de se pescar onde os acessos são bons e se vadeia muito bem,portanto sempre um clássico para quem visita estas paragens.

Contudo tem o reverso da moeda,pois a grande diversidade de eclosões de insectos leva o mais experiente e experimentado pescador a um desafio constante porque as trutas,a maior parte das vezes,são de tal forma selectivas que uma menos atenta leitura do rio leva de certeza ao insucesso e consequente grade,muitas das vezes com as trutas a morderem-nos o pés.

No ano anterior tinha-mos pescado muito bem nesta zona,embora das 2 vezes que lá tinha-mos estado  o rio apresenta-se um caudal muito elevado mas onde as pheasant-tails  funcionaram muito bem e deram belas trutas.

Este não é um tramo livre!é gerido(e muito bem) por uma associação local chamada Thurles,Holycross and Ballycamas Anglers Association  ,as licenças diárias custam 15€ por pescador,este troço está exclusivamente reservado à pesca sem morte e sempre à pluma.

É frequente,para não dizer sempre,fiscalizado pelos sócios que observam atentamente a acção dos pescadores.

O troço é lindíssimo passando junto à famosa Holycross Bridge,com a sua imponente abadia bem vincada pele forte componente religiosa ,rodeado de verdes paisagens e belas quintas onde se criam os mais belos e imponentes puros sangue.

As trutas desta zona do Suir são muito famosas quer pela quantidade,quer pela sua beleza mas também pelo  seu bom tamanho.

Pescamos de-facto muito bem esta época(2013) com belas trutas a entrarem à sêca mas algo selectivas onde as Cayennes #20 funcionaram muito bem.


  

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Rios saudaveis II
























Rios saudáveis


Felizmente existe ainda alguns(cada vez menos) rios saudáveis e  com razoáveis populações de trutas!São rios selvagens onde a acção do Homem teve ainda pouco impacto ambiental,inseridos num entorno paisagístico ímpar.

Eu conheço alguns.São sobretudo rios e ribeiras pouco conhecidos da maioria dos pescadores,em regra de difícil assexo,encaixados em vales profundos e escarpados.

Alguns são regulados por concessões,outros livres,onde a pesca pode ser exercida com morte do peixe,mesmo assim não deixando de ter uma saudável,embora de reduzidas dimensões,população de trutas.É desses que eu mais gosto e guardo na minha memória a nostalgia dos tempos em que eu era jovem e tinha na minha mente irreverente a ânsia de novas aventuras e essas perdurarão até aos fim dos meus dias.
Alguns deles já não os visito à anos,embora vontade não me tenha faltado,mas o alto risco  de os visitar sozinho impõem  que pondere muito bem.
Não são fáceis,como alias nenhum rio o é,mas quando pescado na altura certa são capazes de encher o ego a qualquer pescador.A sua progressão é um desafio constante ao mais astuto pescador,tais são as dificuldades que  eles impõem a quem os desafia.




segunda-feira, 19 de maio de 2014

Curral do Absedo

Nem só de trutas e pesca se alimenta este blog,também as grandes caminhadas fazem parte integrante da razão da sua existência.

Esta ultima surgiu de surpresa e teve duplo significado pois pretendia-se fazer a despedida dum amigo de alguns anos que está de partida para uma nova vida profissional fora do nosso país,por outro lado,mais pessoal,tentar atingir um dos mais longínquos e misteriosos currais do Gerês;o Absedo.

Portugal  Nature é  já uma referencia para aqueles que se interessam pelos trilhos Gerês,onde o(s) seu(s) autor(es) descrevia(am) com simplicidade,mas com enorme sentido, e nos deliciavam com belas imagens nas suas caminhadas.Esperamos que continue a fazer parte da nossa lista de leitura mas com paisagens bem diferentes como as dos Alpes.

Voltando ao trilho,ele começou nas Lagoas do Marinho(já bem acima dos 1000m alt) subindo ao Borragueiro,passando ao lado de Cidadelhe,para depois se descer então ao mítico Absedo.
Tinham sido já várias as tentativas para alcançar este longínquo curral mas sempre que me proponha lá ir o dia tornava-se curto até porque na alta montanha não se brinca pois uma decisão mais arriscada pode muito bem ser motivo de desorientação e tornar a que a noite caia muito rapidamente.

Este é um lugar cheio de mistérios como estes círculos em espiral de grandes dimensões gravados nas rochas sem explicação para os cientistas que por lá passaram a estudá-los.

Depois outra coisa que pelo menos a mim me intriga é como as gentes de Pincãens percorrem mais de 25 quilómetros para chegar a este pequeno curral.Outro enigma é a forma como ele está divido ao meio por um muro de pedra sem nenhuma entrada.

O regresso foi feito praticamente pelo mesmo trilho da subida até às Lagoas do Marinho para  depois se dar inicio à longa descida para  Pincães.

Mais uma bela surpresa esta descida,com um serie de currais e uma paisagem e para mim desconhecida onde a imensidão da serra é apreciada dum outra perspectiva.

Não podia deixar de sublinhar e ao mesmo tempo agradecer aos companheiros desta caminhada.